NOSSA HISTÓRIA


“A Trupe Ortaética de Teatro Comunitário é um manifesto artístico popular que se apropria do teatro para fazer pensar as questões sociais de forma crítica acerca do direito e proteção integral da criança e do adolescente, da democratização aos bens da cultura e abordagens em direitos humanos. Enriquece culturalmente os cidadãos que constroem com força e coragem a história do nosso povo. Milhares de pessoas já foram beneficiadas com o projeto direta ou indiretamente através dos eventos culturais, oficinas, cursos de curta ou longa duração, palestras, ensaios abertos, workshops, performances, ações sociais, produção de espetáculos e encontros de arte”

 MISSÃO

 Ser um democratizador cultural frente à sociedade contemporânea, utilizando-se de ferramentas imateriais, como o jogo simbólico teatral, para reflexões sobre a arte, cultura, educação e cidadania.

 OBJETIVOS

Formar cidadãos multiplicadores do fazer artístico reflexivo.

Possuir de forma permanente um caráter de pesquisa.

Fomentar as atividades artísticas desenvolvidas desde a fundação da companhia.

Ter a arte como um ponto de partida e um ponto de chegada, arte como processo, como meio e como finalidade principal, envolvendo aspectos sociais, históricos, filosóficos, etc. Sensibilizar a rotina impessoal dos seres humanos em suas relações humanas.

HISTÓRICO DO PROJETO

O ideal do projeto surgiu em Dezembro de 2007 num curso de Terapia Familiar Sistêmica em uma entidade social de proteção dos direitos integrais das crianças e adolescentes; amparada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.

A prática artística/social surgiu em Janeiro de 2008, da ideia de atender crianças e adolescentes dentro de um Centro de Atendimento Biopsicossocial, a partir das ações educativas do Arte/Educador Tiago Ortaet, na época inserido numa equipe multidisciplinar (Psicólogos, Assistentes Sociais e Arte/Educadores) em regime de atendimento familiar sistêmico, através de encaminhamentos dos Conselhos Tutelares Jaçanã/Tremembé e Santana/Tucuruvi, na Zona Norte de São Paulo, com os quais eram mantidas parcerias.

Lidamos direta e indiretamente com famílias em vulnerabilidade social e nossas intervenções se embasaram desde o início em pilares conceituais como do filósofo Pierre Bordieu (Ethos, Hábitus), do pedagogo Paulo Freire com sua pedagogia da autonomia, da proposta triangular do ensino de artes da pesquisadora brasileira Ana Mae Barbosa com seu tripé metodológico de VER-FAZER-CONHECER que podemos contextualizar em SENTIR-INTERVIR-RESGATAR e sobretudo no Teatro do Oprimido do teatrólogo brasileiro Augusto Boal.

Inicialmente O COLETIVO era composto unicamente por seu fundador e maior idealizador das abordagens de arte num espaço até então dominado pela psicologia e assistência social.

A visão apregoada era de que as pessoas tinham que ter a arte como um espaço de reflexão, mas todas elas não seriam ali, vistas por seus problemas, como rotineiramente ocorria, mas sim pelas suas habilidades e competências.

Vencendo a resistência de alguns profissionais da entidade e tendo uma coordenação democrática, a arte ganhou espaço pela interdisciplinaridade. A força primeira desse projeto de arte/educação foi sem dúvida, de sublinhar a humanidade nos detalhes do cotidiano.

 Práticas e experimentos foram degustados como performances de rua e intervenções urbanas com os mais de 30 alunos frequentes dos encontros semanais.

Nas turmas de jovens, também estiveram jovens abrigados, jovens em liberdade assistida (L.A.) e crianças com deficiências mentais leves (Síndrome de Dall e depressão), porém sempre buscamos e tivemos suporte conceitual, especializado de profissionais da equipe, CAP´s AD e órgãos competentes.

Encerrado o ciclo de estréia do projeto, enquanto experimentações iniciamos o segundo semestre com o trabalho ainda mais intenso e ousado, pois a partir de então receberíamos também adultos de todas as idades, uma vez que a intenção era que as famílias se reunissem para pensar arte. Pensando arte se conheceriam melhor, estariam coexistindo com as dificuldades, podendo muitas vezes nesse processo, conhecer a solução de alguns dos seus problemas por elas mesmas. Arte como desenvolvimento humano!

Novos temas eram propostos pelos próprios participantes das oficinas, que nessa fase já somavam quase 100 pessoas, entre pais, mães, tias, avós e netas.  Famílias inteiras reunidas em vivências artísticas individuais e coletivas, uma possibilidade de coexistir identidade e alteridade.

As pesquisas instigavam um novo olhar pela cidade e as demandas do grupo transcendiam o espaço de aula e tomavam as ruas como performances, fazendo com que nosso debate ganhasse conecções expandidas do que se propunha a debater.

Transformando experiências pela prática artística tornávamos real uma arte-manifesto.

O trabalho sempre foi comunitário, por essa premissa acolhíamos todos interessados, desde dentistas à faxineiras, desde andarilhos à estudantes, de atores à recepcionistas, de jornalistas a jornaleiros, de professores a alunos; essa sempre foi uma característica importante da nossa ação: A pluralidade, a diversidade, construindo um teatro social.

No segundo ano de atuação a Trupe Ortaética passou a ter contornos de grupo de estudos interdisciplinares, tendo como mote o teatro. Nessa nova fase do projeto, foram mais de 400 participantes de nossas oficinas nos 11 grupos formados, isso só foi possível por conquistarmos um importante patrocínio que nos possibilitou ter um equipe ainda maior. Nosso maior desafio era produzir o primeiro espetáculo da companhia, mas havia de ser um conjunto de temas relevantemente sociais.A força do trabalho frutificou e nesse semestre, após meses de preparação estreamos o Espetáculo “PERFEIÇÃO”, uma ácida crítica social,  num auditório em São Paulo para mais de 1000 pessoas, entre familiares, amigos e convidados.

Ainda em 2009, já sediados num espaço maior na região central da cidade de São Paulo, os integrantes dessa Cia Comunitária encenaram os espetáculos: “Quando as máscaras caem”,  “Trabalhar é preciso, sonhar é obrigação” ambos criações coletivas e  “Machbeth” de Shakeaspeare, “Meu Trabalho, minha vida” e “É um jogo” composições dos grupos de estudos cênicos; todos apresentados em nossa tradicional maratona de apresentações titulada de “FORMARAU” um mix de teatro, música, sarau de poesias e vídeo-arte documentais dos processos de criações.

Em 2010 aumentamos ainda mais nossa oferta de vagas para cursos gratuitos de artes em regiões periféricas de Guarulhos, Mairiporã e São Paulo, inauguramos novos grupos de estudos em contação de histórias, malabares, percussão corporal, iniciação musical, cenário, fotografia, dramaturgia, além de palestras com artistas nacionais e internacionais, graças a nossa ousada busca por artistas engajados com nossa missão social e parcerias com empresas que apoiam atividades culturais. Nessa época o trabalho foi exposto em palestra pelo fundador da Trupe Ortaética no Encontro Internacional de Educação Artística em Cabo Verde, continente Africano.

Em 2011 no 4º ano de atividades seguimos os passos de uma arte reflexiva e portas abertas para novas experiências. Pela primeira vez implementamos oficinas teatrais de módulo II e uma oficina exclusiva de intervenções urbanas, estreitamos nossos vínculos sociais com outros estados, inauguramos uma experiência de intervenção em artes visuais e artes cênicas com Associação Comunitária da Barra da Lagoa em Florianópolis. Em mais uma exposição em congresso internacional de Arte’Educação a nossa metodologia foi demonstrada no INSEA WORLD CONGRESS, ENCONTRO MUNDIAL DE ARTES, que ocorreu na cidade de Budapeste, Hungria.

2012 foi sem dúvida, um ano divisor de águas em nossa trajetória, pois para garantirmos nossa autonomia artística e independência ideológica deixamos o espaço que nos abrigava a fim de buscar uma itinerância de pesquisa, um processo investigativo de nós mesmos enquanto cidadãos criadores. Foi um período mais empírico e introspectivo de nossa missão, momento de reavaliar tudo que fora plantado e alçar novos vôos. Nessa ocasião inauguramos outro ciclo de estudos titulado de “CARDÁPIO ORTAÉTICO” com pesquisas sinestésicas de teatro/educação, performances em Teatro do Oprimido e estudos teóricos. Ainda nessa fase apresentamos performance de vernissage da exposição “E…ternos Presenças e Ausências” de Tiago Ortaet na cidade do Porto em Portugal; fizemos a abertura do 4º Fórum de Teatro do Oprimido de Hortolândia e fomos participantes dos Fórum de Políticas Publicas em Hortolândia e Santos.

O ano de 2013 fundamos uma rota de desenvolvimento e ampliação das ações de formação.

Conquistamos o primeiro fomento publico e firmamos parcerias com importantes artistas e instituições promotoras de teatro e direitos humanos. Passamos a ter o apoio e referencial teórico (prático) da Ong Mudança de Cena, construindo em parceria o teatro-fórum “Nosso Segredinho” tematizando o abuso sexual, apresentado no Fórum de Direitos Humanos realizado na Universidade Zumbi dos Palmares.

Durante todo o ano realizamos diversas aulas-abertas, palestras e vivências na comunidade da Zona Norte de São Paulo, em todas essas ocasiões tematizando o “direito à infância” referente nossas pesquisas do espetáculo “Pedra no Lago”.

O ano de 2014 se tornou uma experimentação em linguagens híbridas; onde fomos convidados a desenvolver performance teatral no carnaval paulistano, para um dos carros alegóricos da escola de samba X-9 Paulistana, com o tema “loucura”, sob supervisão artística da coreógrafa e pesquisadora Yaskara Manzini.

Também recebemos a visita da produtora Paranoid, que através do cineasta Denis Cisma selecionou adolescentes atores da Trupe Ortaética para protagonizarem o curta-metragem “Duas de Cinco” do rapper Criolo, que teve lançamento nacional.

Neste período, após mais de um ano de pesquisas;  começaram os ensaios da simbiose teatral “Pedra no Lago”. Tivemos também o lançamento do nosso site oficial e pleito de projeto em editais e fomentos públicos com o projeto SINAPSES TEATRAIS, no sentido de proteção integral dos direitos da criança e adolescente.

Não somos simplesmente uma companhia teatral produtora de espetáculos e pesquisadora de técnicas das artes cênicas, embora saibamos da complexidade de nossa proposta, temos o compromisso social enraizado em nosso objetivo primeiro de ser um DEMOCRATIZADOR CULTURAL levando nossa arte a todas as classes sociais, sobretudo uma arte/educação comunitária.

São Paulo, Março de 2014

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4 comentários em “NOSSA HISTÓRIA

    • Cecília é uma honra receber sua atenção e seu comentário; o teatro do oprimido é um divisor de águas na minha carreira profissional, artística, além de ser um poderoso instrumento de reflexão das artes/ sociedade. Nosso engajamento é do palco da vida!!! Muito obrigado!!!

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