CRÔNICA DE UMA TARDE DE SÁBADO!!!


HISTÓRIAS RETICÊNTES

Entardecer diante de um portão fechado e calar-se feito uma trava de cadeado seria um sinal equivocado… Não me serve de socorro um sinal do morro, me serve a bandeja que de lá vem,  meu teatro protestante,; teatro social de arsenal inquietante. Me serve tanto que visto a causa!

Uma trupe de raíz mambembe não se acovarda diante do caos; não se entrega; mesmo que caia um temporal, tomamos chuva como quem toma um gole de vontade, de boca seca pra beber dessa fonte teatral; mesmo que o caos atrapalhe o planejamento, planejaremos caos novos e mais coloridos, mesmo que tenha que buscar um novo quintal; valei-me minha mente teatral…

Dois carros levam quantos atores, eu redijo meu ponto de interrogação; mas diante da imensidão do total, eu não consigo contar, pois o amor é inexplicável e o infinito não se pode medir!!!

Valeu pela garra Ortaéticos!!!

Tiago Ortaet 

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TEXTO DO NOSSO COORDENADOR ORTAET SOBRE O PROJETO CURTA-METRAGEM “DUAS DE CINCO + COCCIX-ÊNCIA”


CINE-MANIFESTO

Em noite de estreia de um curta-metragem de longa provocação, daqueles de ficar pulverizando um inseticida verbal em ervas daninhas de nosso estado capital; a capital do que nos negam diariamente, das rezas que não socorrem o teor do batente, da politica ausente ou da colheita, do que mais quiser degladiar.

Se a arma dele é a poesia, por que a nossa não seria? Poesia do olhar, do corpo e da alma!

Em videoclipe futurista, meninos e meninas imersos, brincam de artista com o adolescer de cada cena; recortam cada verso com os olhares germinais, como quem pede algo a mais; como quem pode bater no peito pelo teatro que fora plantado em um aprendizado que se construiu em dialética, em interpretações de cara aberta, “made in” periferia, poesia frenética, tipo exteriorização Trupe Ortaética.

Diante das canções em tons lacrimais da realidade, do mestre do extremo da cidade, do poeta das bordas sociais, eu e meus plurais gingamos em busca de oportunidades que escassas feito água em tempos atuais, diluem-se em poucas margens. Bebemos do que acreditamos e navegamos nesses mares, ao mar aberto; por que de certo nossa arte é orgulhosamente oriunda dos tesouros da periferia! O burguês: Mas quem diria?

Uma Trupe de “espectatores” que ao criar expectativas, mas sem ficar assistindo a realidade; aponta a ferida e cutuca, aperta e reluta, sublinha o cotidiano por um teatro manifesto; eis que meninos e meninas se entranham nesse laboratório de percepções para parir intervenções pela cena de todos nós.

Uma Trupe com status de teatralização, de estado de prontidão, sem sede, mas com sede de justiça social; acolhe seres demasiadamente HUMANOS de todas as idades para dizer o que não se diz ao fechar das cortinas; cena raíz! Não há cortinas que mascarem nossas verdades!

Meus meninos Ortaéticos a quem zelo; souberam ser conduzidos cenicamente sob minha inquietante pulsação teatral; eles carregaram toda uma história de resistência, de um projeto que emerge, luta e sobrevive; que vai ao encontro do legado do Criolo, rapper de versos ácidos a quem atribuímos nossas cenas de protesto no palco. Nosso palco é o asfalto, é o mundo!!!

Pelo comando da claquete e sob os olhares generosos, atentos, num enredo real e cinematográfico, o diretor Denis Cisma, nos embalou em sua versão estética para as poesias musicadas do Criolo; brasilidade genuína e lente que revela, nós fomos parte desse tempero, isso nos dá uma grande honra e gratidão!!!

Sob o mesmo céu que nos corteja em nossas cenas do extremo Norte de São Paulo, o Grajaú segue a labuta de cada cidadão, de cada artista do gueto; de cada dia útil, de trampo e escadarias; seguimos a nossa missão, com o teatro de corpo, alma e AÇÃO!

Tiago Ortaet
Preparador de Atores do curta-metragem “Duas de Cinco + Cóccix – ência” do Rapper Criolo. Direção Denis Cisma (Produção Paranoid Brasil)