Carta aos alunos


Aos alunos que integraram o elenco de A-QUARUP e CORDA BAMBA:

É com muita satisfação que faço a avaliação desse um ano de trabalho. Sinto-me realizada por proporcionar a cada um de vocês a experiência do fazer teatral. Digo fazer teatral, pois puderam compreender que o teatro não se mantém se o mesmo não agir como um coletivo.

Dos exercícios às técnicas, das técnicas ao experimento, do experimento à aprendizagem. Puderam de fato saber o que é teatro, e como sempre digo, ele não se realiza somente no palco e sim em todos os ambientes e relações que se criam no espaço e fora dele. Poder olhar para além do nosso próprio umbigo, saber escolher a obra (peça) tornando-a necessária para a sociedade e não somente para a exibição de seus próprios egos.

Depois de um ano de curso, pude testemunhar o prazer, o orgulho, o alívio e a superação que sentiam por estarem ali, realizando seus desejos, investindo em seus sonhos ou simplesmente por se permitirem existir de uma maneira diferente.

Aprenderam a olhar, tocar, sentir. Desvendar os exercícios e técnicas e transformá-las para o uso de seu cotidiano. Cantaram, dançaram, caíram, choraram. O frio na barriga e o medo, acreditem, é a melhor coisa que o ator pode sentir antes de subir ao palco. É a certeza de que estão vivos e que o que fazem ainda o instigam, não percam isso nunca!

Sim, cada um que pisou naquele palco, teve sua função. Atores preparados, instigados e apaixonados pelo o que estavam fazendo. Puderam provar que dividir é somar, pois não existiu ali (nas peças), ator que estivesse simplesmente cobrindo um buraco ou sendo usado como papel de parede, como acontece por aí a fora!

Me emociono em pensar que o teatro foi um ambiente propicio para as amizades, souberam antes de tudo se conhecerem para então aprender a respeitar o próximo. Amigos que levarão para a vida inteira. Pois lidar com o desconhecido não é nada fácil e foram astutos e pacientes.

Agradeço à todos que participaram da produção e se candidataram para recortar um tecido, doar objetos, colocar um alfinete, subir em escadas, segurar a escada, amarrar um bambú, colar uma folha, fazer um saco, emprestar, ajudar, colaborar, etc.

E, quando quiserem desistir por acharem que já é o suficiente, acreditem, nunca será o suficiente, sempre vai haver algo que possamos melhorar.

Obrigada pela vontade de todos nas aulas, pelas reuniões de produções, pelos ensaios extras, pelas festas e principalmente por acreditarem em minha condução.

Hoje, com orgulho posso olhar para esses dois grupos Os Terças e Sabatina e dizer: Somos apenas um grupo!

E como não podia deixar de dizer: Cada um tem o que merece! Por esse motivo, estou feliz por ter merecido cada um de vocês!

Somos alegres, ainda pequenos, porém fortes. Temos fé e muita sorte!

Parabéns a todos!

Thais Aguiar

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Um comentário em “Carta aos alunos

  1. Bom, vou falar por mim, mas creio que muitos concordarão tambem…
    Eu é quem tenho que agradecer por voce pegar uma pedra bem cheia de pontas e lapida-la durante esse ano todinho…
    Sei que lá nao era espaço para terapias, mas de certa forma, mudou meu modo de viver fora do palco, meu modo de pensar… Aprendi que na vida eu so posso entregar aquilo que tenho para dar, nada a mais… pois nao sou perfeita. Tive que aprender a lidar com as ferramentas que tenho na mao, e nao as que eu nao possuo.
    Pude nos dias em que eu mais queria sumir, me camuflar em outra pessoa e ser o que quisesse ser naquele momento e então voltar ao que sou mais leve!
    Isso tudo, eu so aprendi tendo voce ali para dar exemplo e nos guiar… Aprendi a lidar com cada emoçao no palco e senti-la em todas as intensidades ali!!! Como é bom aquele frio na barriga, aquele medo do errar, e aquela sensaçao de prazer e alegria quando terminamos. Olhar de fora para o palco e pensar, “acontecemos!”
    O merito é todo seu, por escolher as pessoas que menos teriam chance em outros lugares, crerem e acreditarem que eram capazes de fazer teatro e se modificar com ele!
    Quero passar isso a outras pessoas também!!!
    Obrigada por cada xingo, cada grito, casa bronca, cada exemplo, cada correçao, elogio, olhar, tempo, sorriso, risada, exercicio, música, reuniao, ajuda… enfim… Aprendi a amar aquilo tudo, e a amar as pessoas que se deixaram ser amadas. Lembra quando eu disse que na primeira aula eu pensei “cacilda, ela é brava assim? Que mal humor…” Mas somente passando a conviver ali com voce, pude ver o que vc era de verdade e o que voce queria passar p/ cada um. Vi que nao é braveza nem mal humor! é seriedade, é paixao, é boa vontade, sinceridade no que faz. Aprendi isso tudo tambem, e pode parecer piegas, mas aprendi a amar voce tambem, por pouco contato que tivemos pra isso, mas nao se explica, só se sente.
    Obrigada por tudo
    Sophia

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